Maputo — O Governo de Moçambique lançou hoje, dia 21 de Janeiro de 2026, na cidade de Maputo, o Projecto FIMOZA, uma iniciativa de cooperação entre o Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) e o Instituto Meteorológico da Finlândia, com vista ao fortalecimento dos sistemas de previsão e de aviso prévio face a eventos climáticos extremos.


O lançamento decorreu no Montebelo Indy Maputo Congress Hotel e foi presidido pelo Ministro das Comunicações e Transformação Digital, Américo Muchanga, que sublinhou o papel estratégico da informação meteorológica para a redução de riscos e a protecção de vidas, sobretudo num contexto marcado pela intensificação de fenómenos climáticos severos.


Na sua intervenção, o governante começou por expressar solidariedade às famílias afectadas pela época chuvosa e ciclónica 2025/2026, reiterando que, embora os desastres naturais não possam ser evitados, é possível reduzir significativamente os seus impactos através de sistemas de aviso prévio eficazes, bem coordenados e sustentados por informação fiável.


Muchanga destacou que a cooperação com a Finlândia surge como resposta à crescente frequência e intensidade de eventos extremos que comprometem o desenvolvimento socioeconómico do país. Referiu ainda que o Governo tem vindo a investir no fortalecimento do sistema nacional de aviso prévio, citando iniciativas como o programa “Um Distrito, Uma Estação Meteorológica”, a adesão à estratégia “Aviso Prévio para Todos” das Nações Unidas, o Mecanismo de Financiamento de Observações Sistemáticas (SOFF) e o projecto WISER.


O ministro recordou igualmente que Moçambique foi reconhecido pela União Africana como “Campeão Regional na Prevenção de Catástrofes e Calamidades Naturais”, em virtude dos progressos alcançados na redução de perdas humanas e materiais, mesmo perante eventos de grande magnitude. Nesse contexto, reiterou o compromisso do Governo em aprofundar parcerias internacionais para tornar o país mais resiliente às alterações climáticas.


Por seu turno, a Embaixadora da Finlândia em Moçambique, Satu Lassila, afirmou que o projecto FIMOZA surge num momento particularmente oportuno, numa altura em que o país enfrenta chuvas intensas, perdas humanas e destruição de meios de subsistência. Sublinhou que Moçambique é altamente vulnerável às alterações climáticas, mas também destacou os progressos registados nos sistemas de alerta precoce, cujo impacto, segundo referiu, tem sido determinante para reduzir danos.


A diplomata frisou que a meteorologia é um pilar central da preparação e da redução do risco de desastres, observando que cada dólar investido em serviços meteorológicos e climáticos gera benefícios entre cinco e vinte vezes superiores. Acrescentou que a Finlândia possui uma longa experiência no apoio ao fortalecimento de serviços meteorológicos em países em desenvolvimento e que, através do FIMOZA, pretende renovar e aprofundar a parceria com o INAM.


Na mesma ocasião, o Director-Geral Adjunto do INAM, Mussa Mustafa, afirmou que o projecto representa a continuidade dos esforços de reforço do sistema nacional de aviso prévio, num contexto em que o país enfrenta desafios persistentes na gestão de desastres. Sublinhou que a meteorologia é uma área que exige investimentos constantes, lembrando que estudos demonstram que cada dólar investido no sector pode poupar até dez dólares em custos de recuperação pós-desastre.


Mustafa defendeu igualmente a integração da transformação digital nos serviços meteorológicos, de modo a garantir maior eficiência, maior alcance junto das comunidades e melhor contribuição para o desenvolvimento sustentável. Segundo explicou, o projecto permitirá debater soluções técnicas, fortalecer capacidades institucionais e consolidar mecanismos de adaptação e resiliência climática.


Já o representante do Instituto Meteorológico Finlandês destacou que o FIMOZA visa reforçar a capacidade técnica e institucional do INAM, através de uma cooperação profunda, envolvendo desde os níveis de direcção até aos especialistas. Sublinhou que a parceria permitirá modernizar processos, digitalizar a cadeia de valor meteorológica e melhorar a disseminação de informação aos cidadãos e aos sectores utilizadores.


O responsável frisou ainda que as alterações climáticas estão a intensificar eventos extremos em todo o mundo, tornando os serviços meteorológicos e os sistemas de alerta antecipado mais relevantes do que nunca para a segurança pública e para a tomada de decisões sectoriais. Referiu que a cooperação institucional entre Moçambique e Finlândia, retomada após uma pausa, insere-se numa trajectória de mais de 25 anos de colaboração e constitui, segundo afirmou, o primeiro passo para uma nova etapa de parceria de longo prazo.


Com o lançamento do FIMOZA, Moçambique e Finlândia reforçam a sua cooperação no domínio da meteorologia, com o objectivo de salvar vidas, reduzir perdas e fortalecer a resiliência das comunidades face aos riscos climáticos.

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