Maputo, 11 de fevereiro de 2026 – Moçambique iniciou esta terça-feira um novo capítulo da sua governação com a abertura da Primeira Conferência Nacional sobre Transformação Digital, realizada no Indy Village, em Maputo. O ponto central do evento foi a intervenção do Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, que apresentou uma visão clara e objectiva: um Estado digital, eficiente, transparente e centrado no cidadão.
No discurso, o Presidente expressou solidariedade às vítimas das recentes cheias que afectaram várias províncias. Para Chapo, estas tragédias não são apenas um alerta sobre vulnerabilidades, mas também um lembrete da importância de soluções tecnológicas que protejam vidas e melhorem a coordenação do Estado com a população. O dirigente destacou que sistemas de alerta, plataformas de gestão de emergências e dados confiáveis são instrumentos fundamentais para reduzir perdas e aumentar a segurança das comunidades.
O Presidente colocou o cidadão no centro da agenda digital. Segundo Chapo, a tecnologia não deve existir apenas por si mesma. Ela deve facilitar a vida das pessoas, democratizar oportunidades e transformar direitos em serviços reais e acessíveis. “Não é aceitável que o Estado desenvolva sistemas que não comunicam entre si, que mantenham bases de dados desconectadas ou que dupliquem serviços”, afirmou, reforçando que eficiência, integração e dignidade são prioridades.
Para alcançar este objectivo, o Governo implementou e planeia reforçar várias iniciativas estratégicas. Entre elas estão: a criação do Ministério das Comunicações e Transformação Digital, responsável por coordenar todo o processo; a instalação da Agência de Modernização e Inovação, com foco na eficiência da administração pública; a revisão de legislação para proteger dados e garantir segurança cibernética; o desenvolvimento do Portal do Cidadão, reunindo serviços públicos num único ponto de acesso; e a definição de uma arquitectura digital nacional, estruturada para promover confiança, interoperabilidade e soberania tecnológica.
Chapo reforçou que o objectivo é tornar serviços públicos essenciais — emissão de documentos, pagamentos de taxas e impostos — simples, rápidos e acessíveis através do telemóvel. Essa abordagem, segundo o dirigente, combate a burocracia, reduz o tempo perdido em filas e contribui para maior transparência no Estado.
O Chefe de Estado também abordou a questão da soberania digital. Hoje, disse, um país soberano não se define apenas pela sua independência política, mas também pela capacidade de governar o seu espaço digital, proteger os seus dados e controlar as suas infra-estruturas tecnológicas. Nesse contexto, Chapo lançou a criação de uma Comissão Técnica Multissectorial dos Serviços Digitais, encarregada de apresentar um plano nacional de integração digital até ao final do primeiro semestre. A comissão terá a missão de mapear serviços, promover interoperabilidade, eliminar redundâncias, definir prioridades e construir um roteiro claro para a transformação digital do Estado.
O Presidente concluiu lembrando que esta conferência marca o momento em que Moçambique decidiu colocar o cidadão no centro da transformação digital. Mais do que tecnologia, trata-se de eficiência, inclusão e dignidade. A Primeira Conferência Nacional sobre Transformação Digital sinaliza um marco histórico na modernização do país, abrindo caminho para um Estado mais ágil, serviços públicos mais eficazes e uma economia mais inovadora e competitiva.